terça-feira, 18 de abril de 2017

Retorno ao Jiu Jitsu tradicional Japonês

Em meados de 1996/97/98 iniciei uma nova e dura fase após uma separação matrimonial, me separando da casa, mulher, filhos e até da empresa que viria a fechar. A vida deu uma volta, tipo looping e me deixou de cabeça inchada, doia tudo, muito estresse, ansiedade e uma angústia por um momento melhor. Foi dessa necessidade que procurei a arte marcial, indicado por um médico neurologista para que as durezas do dia a dia pudessem estravazar no tatame.

Procurei um Mestre na arte, por sorte tenho um primo Mestre no Jiu Jitsu tradicional Japonês estilo Budokan, Mestre Leonardo Moreira, um dos poucos senão único no estilo japonês praticado aqui no Brasil. Comecei os treinos e no começo foi bem dificil a adaptação, como em tudo o que você não conhece e vai com a cara e a coragem, eram treinos duros fisicamente e tecnicamente estava aprendendo o estilo Budokan, mas eu tinha disposição, disciplina, respeito e vontade de aprender.

Foi assim que comecei e fique por quase 3 anos, as dores de cabeça sumiram e através da prática da arte marcial melhorei muito meu controle emocional, meu foco e concentração com objetivos claros e após anos de treinos duros e avaliações acabei conquistando a graduação que carrego comigo até hoje com muito orgulho, a faixa laranja.

Após uma viagem não justificada, considerada falta de disciplina fui desligado e não fiquei no grupo.

Daí o destino me coloca de frente ao estilo Budokan mais uma vez quando encontrei um dos alunos da época que graduou-se Mestre com a Faixa Coral 6 grau, meu amigo e vizinho Mestre Michel que me convidou a retornar aos treinos.

Aceitei!

Voltei aos treinos, duros como sempre e hoje ainda mais, os treinos são as 6h da manhã, aja disposição e comprometimento, meu corpo também não é mais o mesmo, evidente, mas a memória muscular começa a trabalhar e a técnica volta aos poucos. Treino com uma galera 10 anos mais nova, pressão total, tiro o máximo do meu corpo e da minha mente mesmo porque continuo com minha graduação e pela ordem e respeito todos me comprimentam com o respeito que a faixa exige, e o respeito é recíproco porque a galera é casca grossa e vem pra cima, independente da minha idade até porque eu não dou moleza, pelo menos nos primeiro minutos, hehehehe.

Aos poucos as cartas do baralho estão chegando em minhas mãos, alguns coringas estão aparecendo, começando a entender golpes x situação x posição, nossa arte é um xadrez, um movimento aqui pensando na defesa, no contra-ataque e no ataque surpresa e suas armadilhas que você ajeita para o adversário ou cai nela.

O fato é que a volta ao dojo, com um time que já viraram amigos, tem feito muito bem a saúde, apesar das dores nas articulações, dói tudo, contudo o prazer e a descarga de hormônios vale a pena, é essencial ao meu corpo, pois existe um vírus esportivo em mim que me faz ser competitivo e nunca desistir, e isso eu levo pra vida em todos os sentidos.

Viva o esporte, Viva o Jiu JItsu tradicional Japonês.
Esporte é vida, Arte Marcial é disciplina, dedicação e respeito acima de tudo.